sexta-feira, 15 de abril de 2011

Chafariz de mágoa

Aqui sentado
Olho pela janela
De entre sons de vuvuzela
Vejo um monte desamparado.

Aqui no vazio
Miro o Tejo
Perto este terreno baldio
Mais nada vejo.

São as pobres ruas
Unidas em cores e defeitos
Que testemunham noites nuas
De assaltos, drogas e mil e um desejos.

Pobres ruas citadinas
Mal frequentadas e mal amadas
Onde fora outrora fontes de água
Sobra agora um chafariz de mágoa.

Poema publicado no livro: Pedaços de Noz (XVIII Antologia 2010)

sábado, 9 de abril de 2011

Floresta de gemidos

Nesta vasta floresta pagã
Brotam plantas de desgostos
Em cada árvore surge o musgo da vida
De sentimentos com demasiados rostos.

Fujo pelo nevoeiro
Trespassado pelo frio do inverno
Caio aos gemidos daquele sobreiro
Contemplando a brilhante lua deste inferno.

Reparto em mim a apatia de viver
Observado por aqueles olhos de lobo
E com aquela respiração ofegante de tanto sofrer
Faz deuses insolentes lutar por poder

E aqui me lembro dos dias gloriosos
Aqueles! Levados por rituais misericordiosos
Que tal como tu sofreram
Que tal como tu… morreram!

E continuo a correr
Naquela floresta sombria
Com medo daqueles olhos
Que tanto penetram na minha mente vazia.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Dor & Miséria

A saudade do regaço
Da tua mão na minha
Poemas e cantorias
Desta paixão que já não tinhas.

Pulo da miséria para o ódio
Do amor para a tristeza
Digo isto com toda a franqueza:
Foste o meu grande poema
Para ti cantei meus versos
A ti dei o meu coração
E naquela noite de dilemas
Por entre a vil tristeza da paixão
Das mágoas que me trazes
Quando por mim passas

Sinto o terror quando te vejo
Tal como aquele terror que tinhas
Quando não me querias perder.
Fui e sou escravo
De sentimentos desgastados
Desolados!
Pisados no chão!
Por ti, dona do meu coração.

Rebates em mim
A solidão do universo
De tão imenso que ele é
O contrário de quanto te tinha por perto.

Pobre o sofrimento de te querer
Desejo furtivo de morrer
Naqueles cortes de amor
Nesta sala vazia carregada de temor.

E deito em mim o rio que chora
O imenso oceano que me percorre
Numa paixão que durou tão fortemente
Que de tanto forte que tinha
Rapidamente acabou.

Fujo, corro e tento voar
Naquele momento que te vejo passar
Na forte paixão do sentimento
Por ti! Bênção do meu sofrimento.

Desespero por ti
De tanto que te amei
De tanto que vivi
Em momentos que até do abismo me alegrei,
Caio agora do céu em que fui rei.

E desejava que isto não guardasse em mim
Este sentimento infernal, ambicionando um fim,
Desejava não pensar assim
Mas tudo o que vi, que quis e que sonhei
Foi tudo com que me desapontei.

domingo, 20 de março de 2011

Despedida de um grande Amor

Venho falar e homenagear quem eu amei por mais de um ano e ainda hoje continuo a amar como nunca serei capaz de explicar.
Corre-me a tristeza nas veias do amor, que outrora partilhávamos, esperando que algum dia sejamos amigos depois daquilo que passamos. E aquele vento que persiste em trazer o teu perfume e as tuas lembranças não parte, não foge, não morre e o sofrimento vem e vai com ele. As mãos ficaram vazias de motivação e o que restava de nós foi deixado fortemente no meu coração como aquele fogo que tu bem conheces, a característica predominante na nossa relação. E como de uma anomalia se tratasse, tento fugir de ti de maneira a que não sofra mas vivo no dilema de ainda te amar e precisar da tua amizade e conforto, junto a mim. Alguém que me conhece e que tem tanto de mim dentro dela, alguém que me ama como amiga e que no fundo do seu coração me quer por perto. E ignorante será aquele que se lembrar das pessoas que ama, de forma melancólica e triste apesar de às vezes parecer humanamente impossível de cumprir tal tarefa. Mas a felicidade cobre tudo e todos, nem que seja por uma ínfima parte ou sentimento, ela acaba por aparecer e nos fazer lembrar de um bom momento.
E de todo este tempo, guardo em mim todas as nossas vivências que me fazem chorar neste preciso momento, estas lágrimas que não são de sofrimento mas de saudade. E esta espera, que não tem fim, leva-me à loucura de não te puder mais ter, de saber que agora, nestes dias, estarás longe de mim, longe com outras pessoas e, talvez, com outro alguém, que me substitua. Mergulho, assim, na angústia de imaginar com quem estás, a quem ofereces o teu lindo sorriso e a tua maravilhosa companhia. Os dias morrem facilmente, quando nem uma palavra tua sou capaz de ouvir ou um toque teu, capaz de sentir. E invisível passo despercebido ao sentimento que já demonstraste por mim. Este amor que foi vivido pelos mais sublimes sentimentos, que tocou as nossas almas marcando-as desde sempre como cúmplices.
E a ausência leva-te para longe, como um castigo, onde eu não posso vencer a dor da saudade. E escrevo noite dentro tentado encontrar palavras que demonstrem que sem ti não há lua ou pôr-do-sol. Sem ti não haverá aquele beijo caloroso de amor e amizade, onde os meus braços te envolviam contra o meu peito e me imploravas para nunca te deixar.
E constantemente sinto-te na minha memória e até chego a sentir-me reconfortado pelo teu toque mas, rapidamente, despido no silêncio, vejo que lá não estás e que a escuridão é tudo o que me resta e consome o meu olhar no crepúsculo que brilha pelos estores do meu quarto.
Nunca te pedirei que voltes para mim, apenas te digo que o meu coração é teu todos os dias da tua vida. Conta comigo em todos os teus momentos de sofrimento ou tristeza e espero que algum dia percebas que eu sempre te quis bem.
Este texto, bem como este amor, para além de pertencer ao passado, pertencem e pertencerão sempre a uma única pessoa que sempre soube cuidar de mim melhor que o próprio céu.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Céu rasgado

Chega o nublado
Debaixo de um céu estrelado
De entre poemas e versos cantados
Partes ao acaso.

E logo te vejo partir do coração
Rasgas o céu com a tua emoção
Desesperado enchi-me de lágrimas
E pedi-te para não partires.

Mas a minha voz ecoou no vazio
Devorada pelo frio
Que deixaste em mim
Pois já não sei viver sem ti.

Haviam tantos sonhos para realizar
Tantas batalhas a travar
E objectivos a conquistar
Mas agora já nem o pássaro sabe voar.

E a solidão não parte
(Queria tanto que ela partisse)
A força de vontade de nada vale
Neste sonho que não cumpriste.

Peço-te, por favor,
Que não te culpes
Faz isso pelo nosso amor
Mas sonho que um dia voltes para mim.

Lágrimas de Amor

Ambiciono o céu
Desejo a lua
Quero o teu véu
Numa noite nua.

Neblina estrelada
Com beijos lutamos
Vida amada
Sem dor guerreamos.

Vive por mim
Eu sonho por ti
Ama-me a mim
Eu amo-te a ti.

Dor indolor
Lágrimas de amor
Amor sem dor
Atrais-me com fervor.

Naquele dia...

Eu tive um sonho há muito tempo
Quando a esperança ainda existia
Sonhei com fé de um momento
Sonhei com amor que não morria.

Ainda quando sonhava sem medo
Não havia razão para chorar
Tudo o que fazia sem segredo
O meu coração ia gostar.

Mas o mal da noite veio
Com chuva e tormento
Sem amor e com receio
Nasceu a dor do pensamento.

E ainda continuo a sonhar
Com o meu amor
Mas não há como me lembrar
De amor sem alguma dor.

Naquele dia eu sonhei
Que seria diferente
Mas agora eu recordei
Que foi a vida que matou o sonho que eu sonhei.