quarta-feira, 2 de maio de 2012

Alma defunta

As místicas luzes do anoitecer
Mais tristes que o amor,
Levam-me a onde me conduzes
Ao julgamento do meu ser.

E chega o dia (Finalmente!)
O dia do adeus,
O dia em que as lágrimas correm no rio,
Enquanto me prosto perante Deus.

Adeus! Não vá o vento tocar-te
Ou até criar-te...

Já não sei quem sou
Ou se o que vejo é real.

Adeus minha alma,
Vou e não volto
Mas tende ânimo,
Pois no precipício eu encontro a calma.

Sonhava ter sabido viver
E até desejava não ouvir estas vozes,
Mas enfim... Não há término para a minha locura

E seguiram-me até ao fim
(Estas belas vozes)
No lugar que a vida não existe
Esse lugar que é o coração
Onde a tristeza é apenas aflição.

quinta-feira, 29 de março de 2012

E o poema continua escrito...

A poesia continua escrita nas entrelinhas do pensamento
Continua a rima cruzada e o soneto
De frases, palavras ou expressões
Que te deu a tua míriade de emoções.

A troca de metáforas mantem
A personificação de uma paixão
Que como o vento vai e vem
E repousa, sempre, num turbilhão.

O puzzle continua incompleto,
Enquanto eu apanho as peças,
Que te levam a um erro mais completo
Mas, ao que parece, muito mais concreto.

E, assim, funciona o teu mundo
Que nunca me aceitou
É teu e não meu, pois nunca me amou.

Agora, remendo-o e coso-o
Para que alguém o venha rasgar
Secalhar até trazem a palavra amar
(Quem sabe...)
Porém será que deves aceitar?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A noite tem o ruído da tua ausência

Deixaste-me no teu jardim
À medida que o Outono passava
Esperei mas não te vi,
Só uma forma nublada

Caminhei no cais,
Entre o rio e o convés
E andei sobre as águas até não ter pé.

Nadei no oceano do céu
Onde o mar azul se cobria de nuvens
Julguei o ser humano como réu
Até ao dia que encontrei o teu véu.

Deste à vida a história e a proeza
Da esperança que leva a amar,
Mas deixaste a noite e a incerteza
De um dia, deste sonho, voltar a acordar.

Pois a tua ausência vive em mim
Da maneira que me esqueço que não te tenho
Porque tanto sou
Que já não sei ser sem ti.

domingo, 1 de janeiro de 2012

"Do you remember?"

Lembras-te de mim, quando não estou a teu lado?
Lembras-te de mim?
Sentes-me aí, quando estou acordado?
Quando o teu mundo assume a cor do negro amargo?

Sabes quem sou, neste momento?
Passei dias, ou horas, no teu pensamento?
Ou talvez minutos, não apenas segundos
Daquilo que me perecia solenemente.

Que estrada é essa, da vida efémera,
Que tentas seduzir?
Na luz da manhã e na escuridão da noite
Será que um dia desejas partir?

E que absoluto tens agora?
Quem és? O que foste? E quem serás?
Chega lenta a minha hora
De correr e não olhar para trás.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Sonhar era ter-te

Hoje sento-me à beira-mar
Enquanto o vento canta a triste canção
Que me fez em tempos amar
O teu corpo, magia e coração.

A balada toca os sons de despedida
À medida que as lágrimas limpam o rosto
E onde já nada faz sentido
Quando o amor se torna um monstro

Mas o irracional continua a procurar,
O único lugar onde já foi feliz
A voz por onde cantar,
Os mil poemas que para ti fiz.

Nem os meus sonhos podem preencher
O vazio que deixaste em mim
Pois sonhar é sofrer
Onde outrora sonhar era ter-te a ti.

Sinto saudades do teu olhar,
Sinto saudades tuas e de nós.
Onde a tua amizade era a minha voz,
Quando estávamos juntos e a sós.

Mas onde estás tu agora?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Média luz que se afasta

Encontrei, agora, o luto
Sobre a morte que venero
O culto do negro
Sobre a solidão que tanto quero

E como a brisa,
Chegou o preto que cobre o meu corpo
Que na minha tristeza enfatiza
As cinzas de um coração já morto

Na escuridão das quarto paredes
Entrego-me ao véu que difere a luz e o negro
E às vozes conto o meu segredo.

A pele seca-me no corpo
Como o desespero seca a felicidade,
Pela alegria de viver,
Na morte que encontro,
Corro no alçapão que quero morrer.

Desejo a eterna negação do meu ser
À medida que abandono a vontade de viver
Sorrindo à média luz que se afasta.

Sou um todo que é nada,
Num tempo perdido na solidão da vida,
Não sabendo quem sou
Neste longo caminho que me apraza.

Penso na dor que me atormenta
Que não conhece limites humanos
De sorriso em sorriso, a deus enfrenta
Enquanto ele se deleita com a tristeza e o sofrimento desumano.

Esqueci-me da vida
Agora que o frio congelou o meu coração
E a noite preenche os meus olhos,
Temo ter-me perdido
Quando celebrava o meu arrependimento,
Nas alegrias de deus sou sofrido
Quando dizem que ele me vê a todo o momento.

Não me lembro quando a noite chegou,
Se alguma vez desapareceu,
Mas a melancolia percebeu,
Que a luz não me segue para onde vou.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mulher viciante

Existe em mim uma lembrança que ainda perdura, excessivamente querida para ser lembrada, quanto mais para ser relatada, mas este sentimento invade-me a alma e é impossível deixar de o descrever. É a tua lembrança. E sei que, por mais que tente, vou tentar em vão, descrever aquilo que aos meus olhos foi demasiado perfeito.
Eras simples, no teu jeito de ser e fisicamente eras, de certo modo, uma mulher de estatura média. Relembro a magistralidade do teu andar pelos campos dourados que te via percorrer. E, de uma maneira tão complexa, que não posso compreender, revejo em ti a excelência dos seres mais extraordinários. Deleitava-me com as tuas enormes qualidades, que só podiam ser vistas por quem realmente te amava, quando fazias com que a tua presença fosse despercebida mas que a tua ausência fosse sentida. Entravas e saias como uma sombra através da formosa dança que te elevava sobre as águas. E, tão repentinamente como o crepúsculo, voltavas a correr para a minha companhia, onde me acariciavas ao som da tua doce voz. Retiro da beleza do teu rosto a meta que nenhuma princesa alcançou. Tinha o esplendor do pôr-do-sol na visão etérea da mais louca e improvável divindade.
Mas na beleza excessiva e perfeita que carregavas, havia uma falha mínima, uma estranheza, que era o facto de ser inconcebivelmente pura e viciante. Fui cativo do mais puro marfim que constitui a tua pele e também, prisioneiro da ondulação natural e exuberante dos teus cabelos. Nunca, outrora, fora tão cativado por algo tão fútil como a beleza de uma mulher, mas agora, as circunstâncias mudaram, muito graças aquele teu olhar e aquele teu sorriso. Oh! Aquele sorriso… Lembraste? Lembraste da minha enorme insistência para te fazer lembrar da beleza do teu sorriso? É provável que te lembres, como te poderias esquecer!? E era aqui, na tua boca, que eu encontrava a prova de existência de seres celestiais dotados de perfeição onde cada curva dos teus lábios fazia de ti a mais radiante estrela.
Mas é sobre este pensamento que - com mais frequência que desejaria - me debruço constantemente. Sou engolido pelo irresponsável pensamento da tua divina beleza. Pensei que finalmente a tinha perdido no tempo, enquanto por lá deambulei, mas o vento, o meu constante inimigo, esmera-se em trazê-la sistematicamente para mim. E nesta situação ofereces-me, inconscientemente, a bênção e a maldição onde me crucifixo. Sou concebido pelo pecado de te querer, mesmo sabendo que é errado, torno-me egoísta por querer amar algo que não pode ser amado. E tudo graças à tua beleza! Fútil beleza! Fútil não… viciante.