quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tu e eu

Passeavas nos limites da cidade
Caminhavas sozinha, pensativa talvez,
Passeavas com o sorriso nos lábios, e mostravas a ingenuidade
Quando contemplava a tua sensatez.

Observavas a natureza, no seu jeito de ser
Admirando o mundo que te encobria
Foste em pensamentos te perder
Exactamente no momento em que eu te via.

O que me interessava era observar-te
Observar a tua boca e a graciosidade de cada um dos teus movimentos,
Observar como havia de amar-te,
Tentando adivinhar o que te ia no espírito e nesses pensamentos.

Sentia-me, deste modo, como um anjo da guarda
Na ilusão de que se algum perigo te assaltasse
Eu iria estar na vanguarda
Para te tirar o medo de algo que te perturbasse.

Mas um dia estranhei a tua tristeza
Corri ao teu encontro mas não te encontrei
Esqueci-me de te proteger, na minha fraqueza
Percebendo, então, que falhei.

Nunca mais te consegui encontrar
Nunca mais regressaste para observar a natureza
Procurei, procuro e continuo a procurar
E agora sobrevoo a cidade, perdido, à procura da tua beleza.

sábado, 25 de junho de 2011

Miss you, my best friend

In this difficult time
Loneliness is all I fear
I can’t know how to be right
Without you, in this empty life.

I understood your way
And I don’t blame you
But I miss you every single day
Since my heart was left without you.

And after I climb the highest mountains
After I scale the most dangerous walls
I realize that all I want is your friendship.

I was burning in silence
Needing your hug
It is an emotion not a science
That make your goodbye so tough

Now I can’t slow down my fall,
You’re not here,
To make me
Smile once more.

I need you
And I have no shame to say,
That someday,
I dream to be a friend of you.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Janela

À janela vejo a vida a passar
Sinto a brisa nocturna
Numa vida que está a mudar
Que encobre o céu em penumbra.

À janela vejo o amor das pessoas
Vejo o frio nos seus corações
Algumas mais frias e menos boas
Outras, com demasiadas emoções.

À janela vejo cães abandonados
Contemplo a sua tristeza
Aqueles que queriam ser adoptados
E que para comer têm a pobreza.

À janela vejo o calor que esfria,
O mundo em que vivemos,
Vejo famílias vazias
Com abusos que muitos de nós sofremos.

À janela vejo sonhos e utopias
Impossíveis de realizar
Onde palavras e magias são apenas teorias
Num mundo que não está destinado a amar.

Á janela nem a lua vejo
Será que se escondeu?
Característica que eu invejo
Aquele que à janela se perdeu.

domingo, 5 de junho de 2011

Como um rio

Fui até há pouco tempo, como um rio
Que percorria o seu leito até ao mar
E durante este percurso senti-me vazio
Vivi momentos de dor e com medo de amar.

Naveguei na poluição da vida
Como um barco perdido
E, sempre em demasia,
Os meus sentimentos foram feridos.

Andei à deriva do desconhecido
Por terras que chamava casa
Terras de inimigos
Terras de enganos e tristeza
Para onde o vento me forçava mas onde não havia beleza.

E por isso esperei
Segui as estrelas debaixo do céu que naveguei.

Lá no fundo, eu sabia que iria encontrar o paraíso
Onde uma nova vida me esperava
O céu, com tudo o que preciso
E onde alguém me amava.

Aqui parto a caminho
Com um bom vento
Deito-me neste leito sozinho
E, feliz, sonho com esse momento.

domingo, 1 de maio de 2011

Alguém...

Falaste-me na existência de alguém melhor
E, depois de tantos poemas,
De viver tantos dilemas
Finalmente te encontrei
Perfeita e sublime tal como te sonhei.

E agora, mesmo que o sofrimento não acabe
Por mais que afaste a dor
Sei que contigo e com o teu amor
Ultrapassarei a dor de um amor que parecia verdade.

Tenho pensado em ti, noite e dia
Quero olhar os teus olhos, abraçar-te
Quando ardes em mim um fogo que já não havia
E tão puramente, como o ar, tenciono amar-te.

Revejo em ti um amor possível
Provavelmente por seres quem és
Naquela ilha de sonho impossível
Rendo-me agora a teus pés.

E de joelhos caio
No pôr-do-sol que evoca a força do mar
Quando o meu coração é trespassado por um raio
Sinto que é a ti que devo amar.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Infelicidade mentirosa

Acordei um dia de um sonho que parecia nosso
Os teus lindos cabelos voavam
Á deriva de ventos formosos
Deitavas a perder as lágrimas que os teus olhos choravam

Lutava então, fortemente
Para te puder alcançar
E tão desesperadamente
Gritava quando em teus braços me queria agarrar

E dor é aquela que sinto
Quando louco estou
E infeliz te minto
Dizendo que tudo o meu coração perdoou

Elevo-me na imensidade da tua alma
E palavras encontro no teu sorriso
Naquele dia de infidelidade calma
Tento, quase em vão, ser teu amigo.

Chafariz de mágoa

Aqui sentado
Olho pela janela
De entre sons de vuvuzela
Vejo um monte desamparado.

Aqui no vazio
Miro o Tejo
Perto este terreno baldio
Mais nada vejo.

São as pobres ruas
Unidas em cores e defeitos
Que testemunham noites nuas
De assaltos, drogas e mil e um desejos.

Pobres ruas citadinas
Mal frequentadas e mal amadas
Onde fora outrora fontes de água
Sobra agora um chafariz de mágoa.

Poema publicado no livro: Pedaços de Noz (XVIII Antologia 2010)