segunda-feira, 18 de junho de 2012

Mistério

Onde está a inquívoca verdade
Que me faz sentir melhor?
Estará, longe, na tua saudade
Ou em algo apenas pior?

Alguma vez te desapontei?
Ou deixei uma amargura
No teu corpo. Pintei
A tua alma ou a tua figura?

O amor será uma utopia
Ou apenas uma obrigação?
Uma vida? Vazia?
Lá vai na malha o meu coração.

Que fogo queima tão friamente
As mãos de alguém que te toca
Do homem que sou!
Que te agarra fortemente
De uma maneira única,
Como nenhum homem te desejou.

Vejo em ti a sombra que encobre
Os olhos que são teus.
Vejo e revejo a verdade dos meus
E o mistério que ninguém descobre.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Alma defunta

As místicas luzes do anoitecer
Mais tristes que o amor,
Levam-me a onde me conduzes
Ao julgamento do meu ser.

E chega o dia (Finalmente!)
O dia do adeus,
O dia em que as lágrimas correm no rio,
Enquanto me prosto perante Deus.

Adeus! Não vá o vento tocar-te
Ou até criar-te...

Já não sei quem sou
Ou se o que vejo é real.

Adeus minha alma,
Vou e não volto
Mas tende ânimo,
Pois no precipício eu encontro a calma.

Sonhava ter sabido viver
E até desejava não ouvir estas vozes,
Mas enfim... Não há término para a minha locura

E seguiram-me até ao fim
(Estas belas vozes)
No lugar que a vida não existe
Esse lugar que é o coração
Onde a tristeza é apenas aflição.

quinta-feira, 29 de março de 2012

E o poema continua escrito...

A poesia continua escrita nas entrelinhas do pensamento
Continua a rima cruzada e o soneto
De frases, palavras ou expressões
Que te deu a tua míriade de emoções.

A troca de metáforas mantem
A personificação de uma paixão
Que como o vento vai e vem
E repousa, sempre, num turbilhão.

O puzzle continua incompleto,
Enquanto eu apanho as peças,
Que te levam a um erro mais completo
Mas, ao que parece, muito mais concreto.

E, assim, funciona o teu mundo
Que nunca me aceitou
É teu e não meu, pois nunca me amou.

Agora, remendo-o e coso-o
Para que alguém o venha rasgar
Secalhar até trazem a palavra amar
(Quem sabe...)
Porém será que deves aceitar?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A noite tem o ruído da tua ausência

Deixaste-me no teu jardim
À medida que o Outono passava
Esperei mas não te vi,
Só uma forma nublada

Caminhei no cais,
Entre o rio e o convés
E andei sobre as águas até não ter pé.

Nadei no oceano do céu
Onde o mar azul se cobria de nuvens
Julguei o ser humano como réu
Até ao dia que encontrei o teu véu.

Deste à vida a história e a proeza
Da esperança que leva a amar,
Mas deixaste a noite e a incerteza
De um dia, deste sonho, voltar a acordar.

Pois a tua ausência vive em mim
Da maneira que me esqueço que não te tenho
Porque tanto sou
Que já não sei ser sem ti.

domingo, 1 de janeiro de 2012

"Do you remember?"

Lembras-te de mim, quando não estou a teu lado?
Lembras-te de mim?
Sentes-me aí, quando estou acordado?
Quando o teu mundo assume a cor do negro amargo?

Sabes quem sou, neste momento?
Passei dias, ou horas, no teu pensamento?
Ou talvez minutos, não apenas segundos
Daquilo que me perecia solenemente.

Que estrada é essa, da vida efémera,
Que tentas seduzir?
Na luz da manhã e na escuridão da noite
Será que um dia desejas partir?

E que absoluto tens agora?
Quem és? O que foste? E quem serás?
Chega lenta a minha hora
De correr e não olhar para trás.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Sonhar era ter-te

Hoje sento-me à beira-mar
Enquanto o vento canta a triste canção
Que me fez em tempos amar
O teu corpo, magia e coração.

A balada toca os sons de despedida
À medida que as lágrimas limpam o rosto
E onde já nada faz sentido
Quando o amor se torna um monstro

Mas o irracional continua a procurar,
O único lugar onde já foi feliz
A voz por onde cantar,
Os mil poemas que para ti fiz.

Nem os meus sonhos podem preencher
O vazio que deixaste em mim
Pois sonhar é sofrer
Onde outrora sonhar era ter-te a ti.

Sinto saudades do teu olhar,
Sinto saudades tuas e de nós.
Onde a tua amizade era a minha voz,
Quando estávamos juntos e a sós.

Mas onde estás tu agora?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Média luz que se afasta

Encontrei, agora, o luto
Sobre a morte que venero
O culto do negro
Sobre a solidão que tanto quero

E como a brisa,
Chegou o preto que cobre o meu corpo
Que na minha tristeza enfatiza
As cinzas de um coração já morto

Na escuridão das quarto paredes
Entrego-me ao véu que difere a luz e o negro
E às vozes conto o meu segredo.

A pele seca-me no corpo
Como o desespero seca a felicidade,
Pela alegria de viver,
Na morte que encontro,
Corro no alçapão que quero morrer.

Desejo a eterna negação do meu ser
À medida que abandono a vontade de viver
Sorrindo à média luz que se afasta.

Sou um todo que é nada,
Num tempo perdido na solidão da vida,
Não sabendo quem sou
Neste longo caminho que me apraza.

Penso na dor que me atormenta
Que não conhece limites humanos
De sorriso em sorriso, a deus enfrenta
Enquanto ele se deleita com a tristeza e o sofrimento desumano.

Esqueci-me da vida
Agora que o frio congelou o meu coração
E a noite preenche os meus olhos,
Temo ter-me perdido
Quando celebrava o meu arrependimento,
Nas alegrias de deus sou sofrido
Quando dizem que ele me vê a todo o momento.

Não me lembro quando a noite chegou,
Se alguma vez desapareceu,
Mas a melancolia percebeu,
Que a luz não me segue para onde vou.